Depois de uma refeição normal, a libertação de insulina pelo pâncreas, sinaliza o encerramento da libertação de ácidos gordos provenientes do tecido de massa gorda, aumentando assim a captação dos ácidos gordos.
Uma das explicações mais comuns acerca do porquê de ganharmos peso, é a de termos os níveis de insulina elevados, devido ao seu envolvimento no “armazenamento de massa gorda”. Daí o argumento que uma dieta baixa em hidratos de carbono é mais eficaz na perda de massa gorda. Ou seja, supostamente os hidratos de carbono através da estimulação de insulina engordam, apesar da sua contribuição energética através das suas calorias. Supostamente não interessa o quanto comemos, desde que evitemos os hidratos de carbono vamos perder peso. Apesar de serem bastante imprecisas estas afirmações, são um dos grandes mitos que existem a nível de nutrição, o que leva várias pessoas a fazerem dietas reduzidas em hidratos de carbono (as chamadas dietas “low-carb”), em que devido à drástica queda no total de calorias ingeridas até podem perder bastante peso.
Outro dogma em crescimento no mundo do fitness é o que refere que é melhor restringirmo-nos de certos alimentos que contêm hidratos de carbono, quando vamos treinar, devido ao medo que a acção dos hidratos de carbono sobre a insulina afecte a queima de massa gorda estimulada pelo exercício físico. Então, novamente, alguns defensores das dietas “low-carb” argumentam que os hidratos de carbono são o que realmente importa na queima de gordura, devido à sua acção sobre a insulina, deixando assim para segundo plano o exercício físico como um meio de gastar energia para controlarmos o nosso peso.
Então de onde vem toda a energia extra quando consumimos proteína e gordura em excesso? Quais são os efeitos da própria proteína no estímulo da insulina ou o papel da insulina em promover a saciedade? Estas perguntas são muitas vezes esquecidas e não consideradas por aqueles que defendem que a insulina é uma hormona de armazenamento de gordura.
Na realidade, é melhor considerarmos a insulina como uma espécie de “polícia de trânsito”, ou seja, sinaliza para onde os nutrientes devem ir e é a principal hormona que diz ao corpo o que fazer com a energia do alimento acabado de ingerir. Por exemplo, quando os hidratos de carbono ou proteína são ingeridos, a insulina orienta o organismo para queimar hidratos de carbono ou proteína, em vez de usar a gordura. Quando, principalmente, ingerimos gordura, a falta de resposta por parte da insulina orienta o corpo a queimar a gordura que acabamos de ingerir.
Em conclusão, nós queimamos o que comemos. Só posteriormente a este processo é que vamos queimar a massa gorda que temos armazenada. No final do dia, a equação do total de massa gorda que em 24h entra e saí das nossas células de gordura não depende dos picos de insulina.
Referências:
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